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Dia Mundial da Síndrome de Down: data destaca protagonismo, autonomia e acesso a oportunidades

Dia Mundial da Síndrome de Down
Na sua luta diária, João Vitor de Paiva é claro: “a inclusão não é um favor, é um direito” (Foto: Divulgação)

Celebrado anualmente em 21 de março, o Dia Mundial da Síndrome de Down foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2012. A data faz referência à alteração genética conhecida como trissomia do cromossomo 21, em que há três cópias do cromossomo 21 em vez de duas. A condição ocorre em 95% dos casos e, segundo estudos, o risco de sua ocorrência aumenta em gestações de mulheres acima de 35 anos, tornando-se mais significativo após os 40.

O objetivo da data é conscientizar a sociedade sobre a importância da inclusão, do respeito e da garantia de direitos às pessoas com síndrome de Down. Um exemplo de representatividade e transformação social é João Vitor de Paiva, de Goiânia (GO). Influenciador digital, ele usa suas redes sociais para compartilhar experiências e defender a inclusão. Com milhares de seguidores, João mostra que pessoas com síndrome de Down podem e devem ocupar todos os espaços, sejam sociais, profissionais ou acadêmicos.

Em 2024, João Vitor foi reconhecido pelo prêmio iBest, na categoria Diversidade e Inclusão, uma das principais premiações do ambiente digital brasileiro. Além da presença nas redes, ele participa de eventos e palestras em todo o país, incentivando a aceitação da diversidade e promovendo a conscientização sobre direitos e oportunidades. Para ele, a inclusão deve ser encarada como um direito básico e inegociável. “Cada conquista individual é um avanço coletivo”, afirma o ativista.

Acompanhamento multiprofissional

No cuidado com a saúde, o acompanhamento multiprofissional é essencial ao longo da vida. A professora Maria Teresinha Cardoso, especialista em Pediatria e Genética na Universidade Católica de Brasília, destaca a importância de monitoramento médico para identificação precoce de condições associadas à síndrome, como a demência precoce. Segundo ela, há biomarcadores sanguíneos que ajudam no diagnóstico e no tratamento antecipado, possibilitando melhor qualidade de vida.

A Terapia Ocupacional também tem papel central no processo de habilitação e desenvolvimento das crianças com síndrome de Down. No Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, o trabalho é voltado para promover habilidades motoras, cognitivas e sociais, além de incentivar a autonomia em tarefas diárias. “A Terapia Ocupacional no Crer é uma ferramenta de inclusão e autonomia, ajudando as crianças a alcançarem mais independência e qualidade de vida, com cada avanço sendo um passo importante rumo à integração plena”, afirma a terapeuta Jackeline Karla Bessa.

Além das atividades práticas, o atendimento inclui adaptação de ambientes e o uso de tecnologias assistivas para facilitar o desenvolvimento das crianças. Para Kênia Cristina, mãe da pequena Valentina, de 4 anos, o atendimento no Crer foi determinante. “Quando minha filha começou o tratamento, ela não sabia segurar os talheres. Hoje, já consegue, interage melhor com outras crianças e é mais independente. O Crer fez toda a diferença para nossa família”, relata.

Dia Mundial da Síndrome de Down
A pequena Valentina durante sua terapia no Crer (Foto: Klysman Prado)

Direitos

A legislação brasileira assegura direitos fundamentais às pessoas com síndrome de Down. Entre eles, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), isenção de impostos como o Imposto de Renda e tributos na compra de veículos, além de garantias na educação e no mercado de trabalho. Escolas não podem cobrar taxas extras de alunos com deficiência, e universidades públicas devem reservar pelo menos 5% das vagas. Já empresas privadas com mais de 100 funcionários são obrigadas a destinar de 2% a 5% de seus postos a esse público. Em concursos públicos, a reserva mínima de vagas é de 5%.

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